Ana Figueiras

Ciberjornalismo

Madeira: Depois da tempestade trabalha-se para que venha a bonança

27 February, 2010

No sábado passado, dia 20 de Fevereiro, a ilha da Madeira foi alvo de um aluvião excepcional. Segundo os historiadores esta foi a maior tragédia ocorrida nos últimos 100 anos na Madeira, ultrapassando o número de vida humanas perdidas e os prejuízos materiais do temporal de 1993 e do desabamento de terras de 1929, em São Vicente.

Em cinco horas caíram sobre o Funchal 111 milímetros de precipitação e 165 milímetros no Pico do Areeiro. Mas as consequências nefastas do temporal que assolou a ilha não se devem apenas à chuva que caiu durante essa madrugada e manhã. A chuva que caiu durante todo o Inverno contribuiu para aumentar o risco de derrocada, pois tornou os terrenos instáveis e ensopados.

Muitos afirmam que o agravamento das consequências da intempérie deveu-se ao estreitamento das ribeiras, à sua cobertura e às construções feitas nas suas margens. Quanto a isso o coordenador do Ministério Público na Madeira, Gonçalves Pereira, já anunciou que poderão ser responsabilizados alguns casos de "ordenamento mal feito". Os ambientalistas apontam que a solução para que uma catástrofe destas não volte a acontecer é alargar os leitos das ribeiras, não construir nas suas margens e, segundo o geógrafo Raimundo Quintal, "mais Laurissilva significará menor risco de aluvião".

No entanto a cobertura e estreitamento das ribeiras da Madeira não é um fenómeno recente, nem foi iniciado pelo actual presidente da Região Autónoma da Madeira, como muitos crêem. Na verdade, a Ribeira de São João, que rebentou à frente do Centro Comercial Dolce Vita, foi coberta nos anos 40 para que fosse construída a Rotunda do Infante. E as pontes que foram destruídas são de muito antes da Autonomia.

É importante realçar que, desde o temporal de 1993, as ribeiras têm sido limpas todos os anos e que as ribeiras normalmente não atingem nem metade da altura que atingiram durante o aluvião.

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Auschwitz: Nem todos foram libertados

28 January, 2010

Ontem assinalou-se o 65º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau, o maior campo de concentração do Terceiro Reich. O antigo campo de extermínio nazi mantém-se até hoje como o maior símbolo do Holocausto.

Foi dia 27 de Janeiro de 1945 que 7.000 pessoas que eram mantidas em cativeiro e sujeitas a trabalho forçado foram libertadas. Entre 1939 e 1945, durante a II Guerra Mundial, estima-se que tenham sido mortos mais de seis milhões de judeus. No entanto quero lembrar que os judeus não foram as únicas vitimas da perseguição Nazi. Os homossexuais também foram fortemente perseguidos antes, durante e até depois da II Guerra Mundial.

Nos anos 20, os homossexuais que viviam na Alemanha tinham mais liberdade e eram melhor aceites pela sociedade do que em qualquer outra parte do mundo. Estima-se que, em 1928, existissem cerca de 1.2 milhões de homossexuais no país. No entanto, com a ascensão de Hitler ao poder, as organizações gay alemãs foram banidas, os livros sobre a homossexualidade (e sobre a sexualidade em geral) foram queimados e, entre 1933 e 1945, cerca de 100.000 homossexuais foram presos. Não se sabe ao certo quantos foram para os campos de concentração onde eram tratados com extrema crueldade. Até os militantes homossexuais do Partido Nazi foram perseguidos e assassinados.

Mas o que choca é que, quando a II Guerra Mundial acabou, muitos dos homossexuais presos pelo regime Nazi não foram libertados. Os Aliados, que ficaram tão chocados com a crueldade dos Nazis para com os seus prisioneiros, não consideravam os homossexuais como vítimas do Holocausto, por isso estes foram obrigados a cumprir pena por se considerar serem "criminosos sexuais".

É importante lembrar o Holocausto para que um horror destes não volte a acontecer. No entanto poucas vezes é lembrado o sofrimento dos homossexuais durante este período negro da história, sofrimento que para eles não acabou no dia em que o Exercito Vermelho libertou os prisioneiros de Auschwitz.

Recomendo esta leitura para quem quiser saber mais sobre este assunto.

3ª Edição do Sapo Codebits

7 December, 2009

A 3ª edição do Sapo Codebits conseguiu juntar na Cordoaria Nacional, em Lisboa, 650 programadores e entusiastas da tecnologia e web, dos quais 50 eram mulheres. O ponto alto do evento foi o extenuante concurso de programação 24 horas, mas durante os três dias do evento também houve tempo para apresentações, workshops, um concerto e muita pizza.

Das apresentações destaco a apresentação de Brian Suda "Optional is required", que visava inspirar os participantes e recomendava que estes explorassem a sua criatividade, a apresentação de Mitch Altman "The Hackerspace Movement" e a apresentação da Paula Valença "Enigma, the mother of modern cryptography". Na apresentação da Paula Valença foi mostrada uma réplica de uma Enigma Machine que a Paula esteve a montar durante o Codebits.

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Um dos espaços mais concorridos do Codebits foi o Hackerspace de Mitch Altman, onde os participantes do Codebits podiam comprar "project kits" para montar e aprender a soldar. Provavelmente o kit mais requisitado foi o famoso TV-B-Gone, que chegou mesmo a esgotar no final do evento. Eu preferi montar o MiniPOV3 e o Trippy RGB Waves project.

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O momento musical do evento esteve a cargo dos Pornophonique. Infelizmente teve uma audiência reduzida e pouco participativa devido ao workshop de Lockpicking que estava a decorrer em simultâneo na outra ponta do edifício. No entanto os poucos que estavam a gostar do concerto fizeram com que a banda voltasse ao palco várias vezes, tendo inclusive de repetir uma música. Para além dos originais, tocaram também uma música dos AC/DC, o "Baby One More Time" da Britney Spears, "Music" da Madonna e uma cover de Slayer. É de realçar também que o artwork da banda era fabuloso.

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No último dia subiram ao palco os leaders dos 74 projectos, realizados durante as 24 horas anteriores, para os apresentar em 90 segundos. Nos anos anteriores, e embora houvesse votação do público, os vencedores eram escolhidos por um júri, no entanto este ano a votação com mais peso foi a votação do público. Na minha opinião este sistema de votação poderá não ser o ideal para um concurso deste género pois o que pesa mais na hora de votar são as amizades e a "piada" que um ou outro projecto tem e não a sua qualidade e potencial para se tornar num produto/serviço. Também o entusiasmo para votar foi decrescendo à medida que as apresentações iam sendo feitas, porque os participantes já estavam demasiado cansados. A verdade é que muitos não conseguiram aguentar o cansaço e dormiam como e onde podiam.

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O grande vencedor acabou por ser o projecto "Supond", um Lifestream com uma interface parecida com o Apple Time Machine. Entre os vencedores está também o Playsketch (uma aplicações de jogos criados a partir de desenhos), o Math4Kids (uma aplicação de jogos didácticos de matemática) e o Truz-Truz (um sistema de passwords sonoras). Confesso que estes três eram os meu preferidos, juntamente com o "Sinestesia", que infelizmente não arrecadou nenhum prémio.

Para além dos prémios (portáteis MacBook Pro, consolas Xbox, telemóveis HTC, leitores de música iPod Nano, Arduinos, placas de banda larga e até puffs) os vencedores do concurso de programação 24 horas receberão apoio financeiro e acompanhamento técnico, de forma a tentar colocar os seus projectos no mercado.

Os vencedores do Codebits por ordem alfabética:
- Cyclops
- Cython protobuf generator
- Math4Kids
- Playsketch
- Supond - Apple Time Machine-like Interface for Your Lifestream
- TV Movies
- Time-based OTPs
- Truz-Truz
- Verbatim Quiz!
- Widgetiz

Para mais fotos do Codebits clique aqui.