O resultado de um estudo encomendado pelo Ministério da Educação e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, sobre a influência da língua portuguesa no mundo, é surpreendente.
Este estudo da Universidade Aberta, que ainda não está concluído, revela que a influência da língua portuguesa no mundo não corresponde ao seu número de falantes, porque existe uma dispersão da política da língua, ou seja, os governos não a promovem devidamente. O estudo tem por base os dados sobre o ensino do português no estrangeiro.
O novo acordo ortográfico é uma forma de alterar este panorama. No entanto os portugueses seguem rumando contra a maré de mais de 200 milhões de pessoas, espalhadas pelo mundo, que falam português.
Enquanto os portugueses fazem abaixo-assinados contra a uniformização da língua, os brasileiros fazem uma promoção bem mais eficaz. Foram negociações entre governo brasileiro e o venezuelano que levaram este último a ponderar a adoção do português como primeira língua estrangeira.
PS: Neste post apenas uma palavra está diferente. Qual e porquê?


Hmmm eu acho que em vez de ortográfico devia ser hortográfico… não? Bem, agora fora de brincadeiras, eu sei por que adoptaste a palavra adotar… Estúpido acordo… então para isso agora vou ler “a-du-tar” em vez de “a-do-tar”?
Isso foi o que pensaram em 1911 quando se deu a primeira reforma ortográfica. Também deve ter sido complicado passar a escrever arcaico em vez de archaico, frase em vez de phrase, teatro em vez de theatro e estilo em vez de estylo. No entanto correu tudo bem e não houve mortos nem feridos.
Há coisas que fazem sentido… Escrever úmido em vez de húmido faz sentido, apesar de ficar chocada de cada vez que olho para esta palavra sem o “agá”. Mas se o agá não está lá a fazer nada em termos de pronúncia, então que se tire, se assim acharem melhor. Se em 1911 não existia a letra “y” no alfabeto, claro que fazia sentido substituí-la por “i”. Se o “h” depois do “t” em teatro também não fazia lá diferença em termos de pronúncia, tirem-no, se assim o desejarem. O que não faz sentido é escrever coisas como “adoptar” sem o “P” porque isso, segundo as regras de português de Portugal, terá necessariamente que mudar a forma como a palavra é lida. Passará, tal como já disse, a ser lido como “adutar”.
Outro ponto que gostava de referir, já que falas em 1911 é que em 1911 não tinhamos um sistema denominado democracia. Logo, as pessoas não puderam opinar, faz sentido também. Hoje, em 2008, quase 100 anos depois, inserimo-nos num sistema designado como democrático. Mas este tipo de situações, em que o governo toma decisões desta importância sem consultar nem sequer informar os cidadãos são o que contribui para a queda da democracia. Houve um velamento desta situação porquê? No Brasil já se falava disto há meio ano, pelo menos. No Brasil soube-se que o acordo ia ser assinado. Em Portugal, só se divulgou isto depois de o acordo já estar definido e assinado… O que me leva a pensar que há interesses (não sei quais) por detrás disto. É o que isto faz querer.
Além disso, não faz sentido países que já desenvolveram a língua “à sua maneira” há tanto tempo, que têm pronúncias diferentes, palavras diferentes e, eu que o diga, são praticamente línguas diferentes, se unam em prol de um acordo que vai interferir negativamente em vários campos. Por que não fazer como o “american english” e o “british english”? É por isso que a língua inglesa tem menos força?
Já que se unem linguisticamente (e nós todos, por obrigação consequente, nos unimos também), por que não se unem em termos de solidariedade e outras coisas mais interessantes ou, pelo menos, mais úteis?
Mas já que se uniram, deviam reflectir bem sobre o assunto. O trema, usado no português do Brasil, foi uma das exclusões da língua portuguesa com o novo acordo. E, lamento pensar isto, mas era das poucas coisas que, já que houve este acordo, devia ter-se aproveitado para o`português unificado, pois o trema tem regra e evita muitas daquelas “excepções à regra” da gramática portuguesa.
Por fim, gostaria de dizer que a língua é um reflexo da cultura. O que têm, por exemplo, a cultura brasileira, angolana e portuguesa actual em comum? Temos formas de vida e maneiras de pensar completamente diferentes… Os brasileiros têm nomes próprios como “Wherle”, “Ohary” e “Guto”. Sim, isto são nomes de pessoas! Isto não são nomes nada portugueses, mas vão poder ser introduzidos… Já para não falar da Sida. Para nós, Sida é aquilo que eles dizem Aids. Para eles, Sida, é um nome feminino…
Com este texto longo (desculpa ser tão longo) quero apenas dizer que aceito o acordo, mas aceitaria melhor se as alterções não fossem contra a nossa maneira de falar. E revolta-me a forma como tudo se processou. Afinal de contas, a língua faz parte da nossa identidade. E “eles” mudaram a nossa identidade sem nos questionar. Segundo o novo acordo, eu passaria a chamar-me “Elga” em vez de “Helga”! Além da língua, o nome também é a nossa identidade – claro que não vai ser mudado, o meu em específico, mas vai ser aquela coisa como o “Vítor” e o “Victor”…
agora é que vi que isto ainda ficou maior do que aquilo que eu contava! sorry!
Helga,
quanto à questão da consulta pública tens razão. Deveria ter sido feita.
Quanto ao american english e o british english – são a mesma língua, apenas usam palavras diferentes e pronunciam de maneira diferente (ex: lift e elevator). A ortografia nestes casos é igual. Em Portugal dizes autocarro e no Brasil onibus (e nós não vamos passar a chamar onibus por causa do novo acordo ortográfico).
Quanto aos nomes próprios a regra continuará a ser a mesma em Portugal: se não está na lista de vocábulos admitidos como nomes próprios, do Instituto dos Registos e Notariado, não pode ser dado esse nome. E continuarás a ser Helga e não mudará com o acordo, porque em Portugal existem regras rígidas para dar nomes e os nomes têm prazo de validade. Inácio já não é admitido em Portugal, apesar de ser um nome bem português, no entanto podes te chamar Valgi ou Vaíse ou Sásquia e até Sidnei.
PS: não faz mal ser grande. Acho bem que digas o que pensas.
Quando abordei a questão do american english e do british english foi precisamente para explicar que não há mal nenhum nisso! São a mesma língua – o inglês – embora com derivações específicas da cultura e de uma evolução contextual em que se inserem. Assim como o inglês de outros países, assim como o espanhol, também tão diferente (vejamos a Espanha e a Argentina, os outro países da América do Sul, etc.).
Agora, se a maneira de falar é diferente, concordo plenamente que a maneira de escrever também o seja… O português tem regras muito aprofundadas de escrita que refelectem a forma como se lêem as palavras. Se não é para acentuar as sílabas que acentuamos, se não é para abrir as vogais que abrimos, então faz sentido o acordo… Os brasileiros abrem sempre as vogais, não precisando por isso de regras para isso. Nós precisamos! E essas regras foram excluídas! As regras, se foram criadas, foi porque houve necessidade de se criar em algum momento. Uma coisa são as regras históricas, as que regulam os comportamentos sociais, que se adaptam aos tempos modernos na regulação de comportamentos, consoante o regime de governação, consoante as necessidades da população… As regras linguísticas, por sua vez, servem para evitar confusões gramaticais, mais nada, e por isso têm surgido mais regras. Aboli-las é voltar atrás, é voltar à confusão.
Como já disse, concordo que adoptem regras que evitem confusão (ex: trema). Mas neste caso, estão a abolir regras (ex: trema, “c” para acentuar sílabas e vogais). Regras úteis! Algo me escapa, de certeza, pois não sei de que forma isto vai melhorar o português! Pode alguém explicar-me?
(desculpa, só vi a tua resposta hoje)
Porra Acelga , digo Helga, como você é chata, hein!!
Em português diz-se “remando” e não “rumando”.
Remando é o gerúndio do verbo remar que significa acção de mover uma embarcação por acção dos remos, enquanto Rumando, sendo tambem o gerúndio do verbo rumar, de tomar rumo enquanto orientação, determina que o rumo diverge, neste caso da politica adoptada, seguindo em direcção diferente da que se pretende nessa mesma politica.
Se me é permitida uma opinião, gostaria de dizer que não estou de acordo com este texto pois acredito que o português que hoje falo e escrevo tem vindo a ser alterado de forma positiva e no sentido de remar e rumar em favor da maré e da corrente.