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Ciência e Tecnologia

Aos pacotes

Há poucos dias ficámos a saber que os resultados da consulta pública sobre a net neutrality, levada a cabo pela Comissão Europeia, só serão conhecidos em 2011. Com os resultados desta consulta irá ser elaborado um relatório que espelha a opinião dos interessados (consumidores, empresas, investigadores, etc.) sobre a possibilidade dos ISPs (Internet Service Providers) ou até dos próprios governos poderem restringir o acesso a qualquer conteúdo na rede. Infelizmente qualquer que seja a conclusão da consulta esta não é vinculativa e, em princípio, não resultará em qualquer alteração da legislação.

Mas afinal o que é isto da net neutrality?

O princípio da net neutrality consiste na ideia de que todas as informações que circulam na web devem ser tratadas da mesma forma, sem que a velocidade de acesso seja maior ou menor para determinado conteúdo.

A net neutrality é um tema muito importante e complexo com duas facções bem distintas: os oponentes à net neutrality e os que são favoráveis a esta. Os opositores da neutralidade da rede incluem algumas grandes empresas de hardware e membros das indústrias de telecomunicações. Estes defendem que a neutralidade da rede limitaria a quantidade de banda disponível e também alegam que esta não ofereceria incentivos para inovação, porque os ISPs não ganhariam nada em investir em melhores tecnologias. Defendem a criação de diferentes pacotes de acesso aos conteúdos, com a aplicação de taxas que fazem variar a velocidade da Internet.

Por sua vez os apoiantes da net neutrality defendem que esta sim permite que haja inovação. Lawrence Lessig, numa review que fez do filme “The Social Network” para o The New Republic, afirmou que «como a plataforma da Internet é aberta e gratuita, ou na linguagem do dia, porque é uma “rede neutra”, um bilhão de Mark Zuckerbergs têm a oportunidade de inventar para a plataforma.» Ao colocar entraves à liberdade desta plataforma (Internet) estaríamos a reduzir as possibilidades de outros jovens com ideias de as poderem executar e de serem bem sucedidos.

«For less than $1,000, he (Mark Zuckerberg) could get his idea onto the Internet. He needed no permission from the network provider. He needed no clearance from Harvard to offer it to Harvard students. Neither with Yale, or Princeton, or Stanford. Nor with every other community he invited in.»

Lawrence Lessig

A neutralidade da rede assegura que a Internet seja livre, aberta e democrática – igual para todos. É este o princípio que rege a Internet desde a sua criação e que a tornou numa força económica, política e socialmente poderosa. Foi por todo o conteúdo ser tratado de igual forma e distribuído à mesma velocidade, sem qualquer tipo de discriminação, que nasceram projectos como o Google, a Wikipedia, o Facebook, etc.

Gosto de pensar na Internet como uma biblioteca: posso ter acesso a qualquer livro que lá exista. Numa biblioteca ninguém me pede para eu escolher se quero ter acesso apenas a livros de ficção científica ou a romances, estão todos disponíveis com a mesma facilidade. O sistema de pacotes que os ISPs poderão criar se não houver net neutrality são como uma biblioteca na qual os leitores tem de escolher a que secções terão acesso: os consumidores terão de escolher se querem o pacote das redes sociais ou o pacote dos sites de vídeos (ex: Youtube), e se os quiserem a todos a mesma velocidade terão de pagar mais.

Seria um modelo mais parecido com o dos canais de televisão por cabo onde onde algumas empresas acabam por controlar o que o público vê e o quanto este paga. O modelo de negócio da Internet, havendo neutralidade na rede, assemelhasse mais com o modelo da rádio no qual todos os consumidores têm acesso ao mesmo, da mesma forma e não têm de pagar mais para ter a rádio x ou y.

O fim da net neutrality prejudicaria tanto os consumidores como os produtores de conteúdos pois poderia coloca-los em desvantagem em relação às grandes empresas. Sem neutralidade, uma grande empresa, com grandes possibilidades económicas, poderia pagar a um fornecedor de Internet para que aceder ao seu site fosse mais rápido do que aceder ao site de um concorrente seu.

Gliese 581g: Is There Anybody Out There?

Hoje foi descoberto mais um planeta, que foi baptizado de Gliese 581g. Este planeta encontra-se em órbita de Gliese 581, uma estrela anã vermelha da constelação de Balança que tem provavelmente outros 5 planetas (Gliese 581b, Gliese 581c, Gliese 581d, Gliese 581e e Gliese 581f) em órbita para além de Gliese 581g.

Ora, esta  notícia passaria completamente despercebida não fosse o facto de aparecer na página principal da Wikipédia (toda a gente sabe que é lá que os jornalistas procuram as notícias) e do grupo de astrónomos do Lick-Carnegie Exoplanet Survey que o descobriram avançarem com a hipótese de haver vida neste planeta. Segundo o líder da equipa, Steven Vogt, Gliese 581g “apresenta as condições ideias para isso (vida)”: está perto da estrela à volta da qual orbita, tem uma temperatura média (entre os -31 e os -12 graus celsius), força de atracção do planeta é similar à da Terra (havendo assim uma atmosfera estável), etc.

Vogt acredita que “a vida neste planeta seria muito agradável”. No entanto isto, tal como a possibilidade de haver vida em Gliese 581g, é apenas uma suposição e tão cedo ninguém poderá confirmá-la pois o planeta está a 20 anos-luz (9,460,730,472,580.8 km) da Terra.

3ª Edição do Sapo Codebits

A 3ª edição do Sapo Codebits conseguiu juntar na Cordoaria Nacional, em Lisboa, 650 programadores e entusiastas da tecnologia e web, dos quais 50 eram mulheres. O ponto alto do evento foi o extenuante concurso de programação 24 horas, mas durante os três dias do evento também houve tempo para apresentações, workshops, um concerto e muita pizza.

Das apresentações destaco a apresentação de Brian Suda “Optional is required”, que visava inspirar os participantes e recomendava que estes explorassem a sua criatividade, a apresentação de Mitch Altman “The Hackerspace Movement” e a apresentação da Paula Valença “Enigma, the mother of modern cryptography”. Na apresentação da Paula Valença foi mostrada uma réplica de uma Enigma Machine que a Paula esteve a montar durante o Codebits.

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Um dos espaços mais concorridos do Codebits foi o Hackerspace de Mitch Altman, onde os participantes do Codebits podiam comprar “project kits” para montar e aprender a soldar. Provavelmente o kit mais requisitado foi o famoso TV-B-Gone, que chegou mesmo a esgotar no final do evento. Eu preferi montar o MiniPOV3 e o Trippy RGB Waves project.

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O momento musical do evento esteve a cargo dos Pornophonique. Infelizmente teve uma audiência reduzida e pouco participativa devido ao workshop de Lockpicking que estava a decorrer em simultâneo na outra ponta do edifício. No entanto os poucos que estavam a gostar do concerto fizeram com que a banda voltasse ao palco várias vezes, tendo inclusive de repetir uma música. Para além dos originais, tocaram também uma música dos AC/DC, o “Baby One More Time” da Britney Spears, “Music” da Madonna e uma cover de Slayer. É de realçar também que o artwork da banda era fabuloso.

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No último dia subiram ao palco os leaders dos 74 projectos, realizados durante as 24 horas anteriores, para os apresentar em 90 segundos. Nos anos anteriores, e embora houvesse votação do público, os vencedores eram escolhidos por um júri, no entanto este ano a votação com mais peso foi a votação do público. Na minha opinião este sistema de votação poderá não ser o ideal para um concurso deste género pois o que pesa mais na hora de votar são as amizades e a “piada” que um ou outro projecto tem e não a sua qualidade e potencial para se tornar num produto/serviço. Também o entusiasmo para votar foi decrescendo à medida que as apresentações iam sendo feitas, porque os participantes já estavam demasiado cansados. A verdade é que muitos não conseguiram aguentar o cansaço e dormiam como e onde podiam.

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O grande vencedor acabou por ser o projecto “Supond”, um Lifestream com uma interface parecida com o Apple Time Machine. Entre os vencedores está também o Playsketch (uma aplicações de jogos criados a partir de desenhos), o Math4Kids (uma aplicação de jogos didácticos de matemática) e o Truz-Truz (um sistema de passwords sonoras). Confesso que estes três eram os meu preferidos, juntamente com o “Sinestesia”, que infelizmente não arrecadou nenhum prémio.

Para além dos prémios (portáteis MacBook Pro, consolas Xbox, telemóveis HTC, leitores de música iPod Nano, Arduinos, placas de banda larga e até puffs) os vencedores do concurso de programação 24 horas receberão apoio financeiro e acompanhamento técnico, de forma a tentar colocar os seus projectos no mercado.

Os vencedores do Codebits por ordem alfabética:
– Cyclops
– Cython protobuf generator
– Math4Kids
– Playsketch
– Supond – Apple Time Machine-like Interface for Your Lifestream
– TV Movies
– Time-based OTPs
– Truz-Truz
– Verbatim Quiz!
– Widgetiz

Para mais fotos do Codebits clique aqui.