Monthly Archives: January 2014

Corrida para os Óscares: Frozen

FrozenQuem conhece o musical Wicked lembra-se com certeza do momento épico em que Elphaba ergue-se no ar a cantar Defying Gravity. Quem conhece o musical Wicked consegue ver as semelhanças entre este e o mais recente filme de animação da Disney — Frozen — inspirado no famoso conto The Snow Queen de Hans Christian Andersen.

Não é o simples facto de ter sido Idina Menzel a protagonizar esse momento épico do teatro musical e a dar voz a uma das personagens principais de Frozen, nem o facto da atriz ter novamente dado voz a uma canção (Let It Go) que ficará na memória dos fãs de musicais. Frozen é muito parecido com o Wicked em termos de estilo, na forma como as músicas surgem naturalmente integradas na narrativa e na grandiosidade da interpretação de alguns temas que com certeza se tornarão clássicos.

Todos os atores que deram voz às personagens de Frozen fizeram um excelente trabalho. Destacam-se no entanto Kristen Bell, que surpreendeu bastante com as suas qualidades vocais, e Idina Menzel, que conseguiu dar uma magia especial às músicas que interpretou.

Kristen Bell e Idina Menzel são Anna e Elsa respetivamente, duas princesas, irmãs que se afastam porque Elsa nasceu amaldiçoada e congela tudo o que toca. O mais recente filme de animação da Disney é provavelmente a única história de princesas da Disney em que o tema não é o amor entre o príncipe e a princesa mas sim entre duas irmãs, que apesar das adversidades não deixam de gostar uma da outra. Para além disso passa a mensagem de que é preciso aceitarmo-nos como somos e não ceder à pressão da conformidade.

Frozen é sensacional não só pela qualidade da história e das músicas mas também pelas inovações técnicas que trouxe. Foi graças à investigação que a Disney e a UCLA levaram a cabo que pela primeira vez num filme de animação temos uma simulação quase perfeita de neve, por exemplo. Por incrível que possa parecer a neve é ​​um fenómeno natural bastante difícil de simular, especialmente a interação com esta. Também a forma como as personagens foram animadas é impressionante e mais do que nunca as personagens parecem ganhar vida e comportar-se como se fossem humanas.

O filme da Disney está nomeado para os Óscares de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original mas apenas na primeira tem fortes hipóteses de receber o Óscar. Espero também que Frozen não seja esquecido nos Prémios Científicos e Técnicos da Academia.

 

Título Original Frozen
Título em Portugal Frozen – O Reino do Gelo
Realizadores Chris Buck, Jennifer Lee
Argumento Jennifer Lee
Elenco Kristen Bell, Idina Menzel Idina Menzel, Jonathan Groff, Josh Gad, Santino Fontana
Nomeações Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original
A Minha Pontuação 10/10

Corrida para os Óscares: The Wolf of Wall Street

The Wolf of Wall StreetNo ano em que as histórias sobre vigaristas fazem furor em quase todos os prémios do cinema, The Wolf of Wall Street é sem dúvida o mais polémico dos nomeados. O mais recente filme de Martin Scorsese retrata a história de Jordan Belfort, um jovem corretor da bolsa que enriquece através do negócio das ações de baixo valor, fraudes de investimento e lavagem de dinheiro.

The Wolf of Wall Street é o filme mais longo da carreira de Martin Scorsese, mas para que valha a pena investir três horas num filme sobre um corretor da bolsa corrupto seria preciso que o filme fosse muito mais do que glamoroso e esporadicamente divertido. O problema do filme de Scorsese não é, como muitos apontam, o excesso de álcool, sexo e drogas, é sim o facto de acabar por ser redundante e essencialmente aborrecido.

Parece que Scorsese e o argumentista Terence Winter pensaram que a maneira de mostrar a vida de excessos de Belfort era serem também eles excessivos. Mas de quantas cenas de bacanal necessita o espectador para perceber como era a vida de Belfort? E quanto tempo têm de durar estas cenas?

Muitas das sequências deveriam claramente ter sido cortadas na edição pois alongam-se tanto que o espectador perde o interesse. O exemplo mais flagrante é uma sequência em que Donnie Azoff, a personagem de Jonah Hill, e Brad (Jon Bernthal) estão numa rua a discutir com uma mala cheia de dinheiro entre eles. A cena é tão longa que no ponto alto da mesma, quando Brad é apanhado pela polícia, nem nos conseguimos recordar o porquê da discussão, de onde aparecem os polícias e o que é aquele dinheiro.

Outra cena demasiado longa é a sequência em que Jordan, completamente drogado, rasteja até o seu carro desportivo estacionado à porta do country club. Tendo em conta que fomos bombardeados durante todo o filme com cenas de abuso de estupefacientes esta cena de humor negro tinha todo o potencial para ser o símbolo máximo da decadência da vida de Belfort. No entanto perde toda a sua força pelo facto de se arrastar demasiado e acaba por deixar o público esgotado e irritado.

Todos os minutos a mais vão acumulando de tal forma que até os momentos vibrantes do filme se tornam monótonos. Apesar de ser divertido ver DiCaprio a representar as cenas em que Belfort estava sob o efeito de Quaaludes ou nos seus discursos acalorados para a sua matilha de corretores da bolsa, tudo isto se torna também tristemente previsível e longo.

Mas enganam-se os que pensam que os atores são responsáveis pelos fracassos do filme. DiCaprio tem uma performance incrível, muito provocadora, destemida e exuberante. Talvez esta não seja suficiente para que mereça o Óscar de Melhor Ator, no entanto justifica claramente a sua nomeação. Também Jonah Hill tem um excelente desempenho no papel de melhor amigo de Belford e apesar de não ter grandes hipóteses de receber o Óscar para Melhor Ator Secundário a nomeação (pela segunda vez) é uma grande vitória para o comediante.

A atriz Margot Robbie, que interpreta a mulher-troféu de Belford, fez o que conseguiu com o seu papel pouco desenvolvido e mesmo assim conseguiu brilhar em algumas cenas. A sequência em que ela se humilha perante o marido em frente do berço do bebé tinha imenso potencial, mas como Scorsese não desenvolveu a relação entre ela e o marido ficou a ser apenas mais uma cena de sexo.

Entre planos mal conseguidos e más escolhas de edição (a não nomeação para a categoria de Edição nos Óscares não foi uma surpresa) o filme ainda poderia ter sido salvo pela performance dos atores, no entanto nenhuma das personagens, com excepção de Belfort, foi suficientemente desenvolvida para que o espectador pudesse relacionar-se com o filme. O filme acaba por não conseguir cativar o interesse nem pelas personagens nem pela temática, que também foi pobremente abordada e assim The Wolf of Wall Street acaba por ser apenas um Goodfellas mediano, demasiado longo, feito à pressa e sem atenção ao detalhe.

 

Título Original The Wolf of Wall Street
Título em Portugal O Lobo de Wall Street
Realizadores Martin Scorsese
Argumento Terence Winter a partir do livro de Jordan Belfort
Elenco Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Rob Reiner, Jean Dujardin, Kyle Chandler
Nomeações Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Secundário, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado
A Minha Pontuação 7/10