Kindle: O Futuro dos livros e dos jornais

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Especialistas editoriais defendem que o futuro dos livros e dos jornais passa pelos e-book readers como o Kindle, PDAs, telemóveis e computadores portáteis. Estas novas plataformas de leitura apresentam-se como um novo mercado numa altura de crise, principalmente para os meios de comunicação sociais dependentes do papel como os jornais e as revistas.

O Kindle 2 é provavelmente o melhor aparelho para adquirir e ler livros alguma vez criado. Este e-book reader criado pela Amazon pesa apenas 289 gramas, mede 203x135x9.14 milímetros e tem capacidade para armazenar até 1.500 livros. Uma vez que o ecrã não é iluminado os utilizadores do Kindle podem ler durante horas sem esforçar olhos. Para conseguir este efeito muito semelhante ao papel é utilizado e-paper (papel electrónico).

O Kindle e os demais e-book readers não têm o intuito de acabar com os livros tradicionais, mas sim de preservar e melhorar uma grande tradição: a leitura. A verdade é que desde que a escrita foi inventada que as pessoas têm necessidade de ter dispositivos para distribui-la e, tal como evoluímos da pedra para o papel, os avanços tecnológicos demonstram que existem agora alternativas ao papel tradicional. O Kindle permite ao leitor fazer anotações no livro, por o aparelho a ler por si e adquirir livros sem ter de se deslocar a uma loja.

Segundo Steve Kessel, um membro da equipa que desenvolve o e-book reader da Amazon, o Kindle não parece ser uma ameaça para os livros em papel uma vez que, até ao momento, os utilizadores da Amazon que adquiriram um Kindle compram tantos livros em papel como compravam antes. O que aumentou foi o consumo total de livros (e-books e livros em papel), que aumentou até 2,6 vezes. No entanto esta situação pode mudar à medida que aumentar o número de livros disponíveis para esta plataforma. “É a conveniência. Eles pensam num livro e em 60 segundos podem estar a lê-lo”, afirma Kessel.

O grande entrave à popularização do Kindle e de dispositivos semelhantes é o preço destes aparelhos. Neste momento são apenas para aficionados, uma vez que pagar 359 dólares (cerca de 279 euros) por um Kindle só faz sentido se a pessoa lê bastantes livros, jornais e revistas. Para todos os outros leitores frequentes (que não lêem o suficiente para se justificar a compra de um Kindle) o telemóvel, o PDA ou o computador portátil podem se tornar nos seus e-readers de eleição.

Iniciativas como o Projecto Gutenberg, contribuem para a popularização dos livros digitais. O Projecto Gutenberg foi fundado por Michael Hart e incita à digitalização de obras literárias anteriores a 1923, que já podem ser legalmente distribuídas gratuitamente e em formatos livres.

Existem muito poucos e-books em português, pois segundo Hugo Xavier, editor da Cavalo de Ferro, “em Portugal não existe mercado suficiente para lançamentos digitais regulares”. No entanto creio que as editoras nacionais têm de começar a reagir aos avanços tecnológicos e a apostar nestas novas plataformas.

Alguns autores estrangeiros já demonstraram interesse em querer migrar para as plataformas digitais. É o caso de Stephen King, que escreveu um romance que só estará disponível no Kindle.

Os jornais e revistas também estão a começar a tomar partido de dispositivos como o Kindle. A venda das edições de jornais e revistas em papel está em declínio em quase todo o mundo e os leitores optam cada vez mais pelas edições online, acedidas através dos seus computadores, telemóveis ou PDAs. Jornais como o The New York Times, o Wall Street Journal, o Washington Post, o Le Monde e revistas como a TIME e a Forbes já têm versões digitalizadas disponíveis para o Kindle. Visto que as edições para Kindle não têm publicidades provavelmente os leitores estarão dispostos a pagar entre 6 a 15 dólares de assinatura mensal para aceder à informação dos seus jornais e revistas favoritos.

A maior limitação apontada ao Kindle é o facto de haver uma grande restrição nos formatos lidos pelo aparelho. Neste momento o e-book reader da Amazon lê apenas o formato criado para o Kindle (.azw), plain text (.txt), mobipocket (.mobi, .prc), MP3 (.mp3), e audible (.aa). Se uma pessoa quiser carregar um PDF para o Kindle, terá de enviar um e-mail com o documento para a Amazon para este ser convertido e pagar 10 cêntimos. Após a conversão do documento a Amazon o enviará para dispositivo. Para evitar o pagamento desta taxa, o utilizador poderá enviar os documentos  para outro endereço disponibilizado pela Amazon e em seguida os documentos convertidos serão enviados por e-mail. Para enviar os documentos para o Kindle basta transferir-los por USB.

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