Linux vs Windows: Os portáteis Magalhães não são todos iguais

O portátil ‘Magalhães’ está a fazer as delícias não só das crianças mas também dos pais, que correram imediatamente para o comprar. “É um investimento no futuro dos meus filhos e acho que valeu bem a pena a espera” revelou à Lusa Mónica Chaves, a primeira compradora do ‘Magalhães’. No entanto os portáteis ‘Magalhães’ vendidos nas lojas e os que são distribuídos através das escolas são diferentes.

Os 500.000 computadores que serão entregues às crianças do primeiro ciclo do ensino básico através do projecto e-escolinha têm dois sistemas operativos, em dual boot: Windows XP e Caixa Mágica 12. Assim sendo, pode-se escolher  que sistema operativo usar ou, por omissão, depois de 10 segundos sem carregar em nada, o sistema entra automáticamente na Caixa Mágica.

O processo de distribuição do ‘Magalhães’ nas escolas será faseado, devendo estar completo em Janeiro de 2009. Os alunos com Escalão A da Acção Social Escolar têm o computador gratuitamente, os alunos com Escalão B pagam 20€ e os alunos sem escalão pagam 50€.

Segundo a Comunidade Caixa Mágica, devido a escolhas comerciais por parte da empresa que distribui os computadores, os ‘Magalhães’ vendidos nas lojas a 285 euros (e o preço pode vir a aumentar) só têm o Windows XP. “Naturalmente que achamos que, querendo que os alunos tenham todos a mesma experiência, os computadores deviam ser todos iguais, mas infelizmente é uma situação que nos ultrapassa” frisou a mesma fonte.

A versão da Caixa Mágica, que vem instalada no ‘Magalhães’, é baseada na versão 12 do sistema operativo português. Esta é uma versão alterada, com um ambiente gráfico preparado para as crianças mais pequenas e com jogos educativos (ex: GCompris). O Windows XP também vem adaptado.

É de louvar que o estado português tenha optado por incluir um sistema operativo Linux no Magalhães, mas o bom trabalho é em vão quando este opta por gastar dinheiro com licenças da Microsoft. É preferível apresentar às crianças uma perspectiva de partilha de conhecimento e de liberdade, que é a ideia que o software livre fomenta.

O governo da Venezuela, que assinou um acordo que visa a compra de um milhão de computadores ‘Magalhães’, ao contrário do governo português, optou pela opção mais acertada pois vai adoptar  apenas uma distribuição de Linux. Optaram por um sistema operativo chamado ‘Camaina’ pois, segundo o decreto 3.390 publicado na “Gaceta 38 095”, a administração pública venezuelana optará sempre por usar software livre nos seus sistemas, projectos e serviços informáticos.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *