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Google Chrome: Lançada ontem a primeira versão do browser

Foi lançado ontem, em mais de cem países, o primeiro browser Google, a maior empresa americana no mercado. A versão experimental do Google Chrome está disponível em 43 idiomas, entre estes o Português, e tem como objectivo melhorar a experiência dos utilizadores da web. Rapidez, simplicidade e sofisticação são algumas das características que a Google promete.

O Chrome foi anunciado na segunda-feira, no blog oficial do Google, e foi apresentada uma banda desenhada com 38 páginas a explicar o projecto e a ambição dos autores. A versão para Windows, do novo browser está disponível para ser descarregada gratuitamente desde as 15:00 do dia 2 de Setembro (20:00 hora portuguesa). A Google estará ainda a preparar as versões Mac e Linux.

Open Source

A Reuters deu a notícia do lançamento do Chrome com um título algo ambíguo, que acabou por ser alterado – Google browser takes advantage of Apple software – implicando que o Chrome deve muito ao browser da Apple, o Safari, no entanto isto não corresponde totalmente à realidade. O Chrome utiliza o motor de apresentação do Safari, uma evolução do projecto KHTML, que se chama WebKit, mas diferencia-se deste e dos outros browsers pela sua interface e pelo seu motor Javascript V8, desenvolvido e integrado no WebKit pela Google. O Google Chrome é um projecto open source sobre uma licença extremamente permissiva, assim como o próprio WebKit.

«O Google Chrome foi construído em cima de projectos open source que têm trazido importantes contributos para a tecnologia e que têm estimulado a competitividade e a inovação» anunciou Sundar Pichai, responsável pela gestão de produtos da Google Inc, numa conferência de imprensa na sede da empresa em Mountain View, Califórnia. O facto do projecto ter o código fonte aberto permite que este seja modificado e reutilizado por todos proporcionando, consequentemente, um mais rápido desenvolvimento.

Mozilla Firefox

A Google é a principal financiadora da Mozilla Corporation, sendo a fonte de cerca de 85% do capital, através de um acordo que envolve o browser Firefox e as predefinições do motor de busca. Com o lançamento do Google Chrome, poderia-se pensar que a Google abandonaria esta parceria mas, a Google e a Mozilla renovaram o seu acordo financeiro até 2011, acordo que estava previsto expirar em Novembro. Sergey Brin, co-fundador da Google, revelou que a Google planeia continuar a trabalhar em parceria com a Mozilla e que espera que as versões futuras do Chrome e do Firefox fiquem ainda mais próximas. “Desejo que, com o tempo, tenhamos cada vez mais unidade” acrescentou.

O Chrome aproveitou algumas das ideias do Firefox, que também é um projecto open source, ou seja, como afirmou Sundar Pichai “pedimos emprestadas as boas ideias dos outros”. Algumas features, como o método de fazer bookmark a uma página e de salvar a password, funcionam como no Firefox.

Simples, eficiente, seguro e rápido

O que mais surpreende no Chrome é que cada uma das tabs é autónoma, o que permite que, sempre que uma bloquear ou não responder, todas as outras continuarão activas. A intenção da Google é “tornar a navegação na Internet mais rápida, segura, prática e a funcionar melhor com as aplicações mais complexas da Net, existentes actualmente” e o facto das tabs serem autónomas possibilita que os utilizadores continuem a trabalhar sem terem de reiniciar o browser e interromperem processos importantes.

A autonomia das tabs também é visível no próprio design do browser, pois as tabs, contrariamente ao que acontece nos outros browsers, estão no topo do browser. Cada tab tem a sua própria barra de endereços, botão de bookmarks, botão de search, etc.

Os primeiros testes com o Chrome, revelam que o browser é consideravelmente mais rápido que os rivais. Segundo Brian Rakowski, gestor de produtos do projecto Google Chrome, “As pessoas passam mais tempo no browser do que no próprio carro” e por isso havia necessidade de criar um novo browser mais rápido e que impulsione uma maior competição no mercado. Graças ao motor JavaScript V8 as aplicações no Google Chrome são mais rápidas, mesmo com processos mais pesados, devido à autonomia das tabs.

Quando o utilizador abre um nova tab, em vez de encontrar uma página em branco, tem uma página que inclui informação sobre os seus sites mais visitados, os seus bookmarks e as suas pesquisas mais recentes. No entanto o resto da janela do browser é extremamente minimalista, pois não tem muitos dos menus típicos dos restantes browsers, e muito poucos ícones na toolbar. Portanto quase todo o espaço do ecrã é utilizado para apresentar a própria página.

A partir dos hábitos do utilizador o Google Chrome conseguirá auto-completar o link sem ser preciso o escrever na totalidade e a Google promete que vai impressionar o utilizador com a precisão com a qual o browser adivinhará que link o utilizador deseja. A esta feature acrescenta-se o facto da raiz do link aparecer destacada.

Fazer o download de ficheiros também é muito fácil com o Google Chrome. Surge um botão no canto inferior esquerdo do browser e para abrir o ficheiro basta clicar nesse mesmo botão, não existindo uma janela de downloads e tornando o acesso ao ficheiro extremamente simples.

Screenshots do Google Chrome aqui.

Críticas

Apesar das grandes inovações que o Chrome apresenta, o novo browser recebeu algumas críticas de alguns colunistas de tecnologia norte-americanos. Walter Mossberg, do “Wall Street Journal”, escreveu que, apesar de ser um browser inteligente e inovador, o Chrome é “grosseiro”. O jornalista do “USA Today”, Edward C. Baig, afirmou que o Chrome é cool, mas acrescenta que “exige habituação na utilização e precisa de ser polido aqui e acolá”. No “New York Times” o jornalist David Pogue escreveu que o Chrome “é extremamente minimalista”, pois não tem propriamente uma barra de status, de menus e apenas uma barra para os bookmarks.