Amanhã uma angolana será coroada Miss Mina Antipessoal, porque "todos têm o direito de ser bonitos"1. Será eleita entre dez candidatas, que têm em comum o facto de terem sido mutiladas em explosões de minas em Angola, e será premiada com uma prótese.
O concurso foi idealizado pelo artista norueguês Morten Traavik, que durante o mês de Fevereiro visitou vários centros de reabilitação em Angola à procura de candidatas a Miss Mina Antipessoal, e foi criado com o intuito de lutar contra a discriminação das vitimas dos acidentes com minas, ao mesmo tempo que proporciona uma melhoria na vida da vencedora graças a prótese que vai ganhar.
O governo angolano, através da comissão nacional intersectorial de desminagem e assistência humanitária, e a União Europeia financiaram o evento que atingirá o seu auge na quarta-feira, no Hotel Trópico, em Luanda, quando as 10 misses subirem ao palco para mostrar o glamour que as minas não conseguiram apagar. A votação foi feita no site do evento.
Angola é considerado o país com mais campos de minas do continente africano. Mais de 70 mil angolanos já foram mutilados por explosões de minas no país, sendo cerca de 300 ou 400 pessoas por ano. Segundo as Nações Unidas dezenas de milhares de minas que permanecem espalhadas pelo território de Angola, apesar dos esforços do programa de desminagem.
A maioria das candidatas está desempregada e todas sonham que o concurso ajude a melhorar as suas vidas. No entanto haverá apenas uma vencedora.
- slogan do concurso [↩]


