Ana Figueiras

Ciberjornalismo

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Projecto 10¹°°: Google dá 10 milhões de dólares para concretizar ideias que consigam mudar o mundo

Quarta-feira, 1 Outubro, 2008

Na sequência da celebração do seu 10º aniversário, a Google lançou um concurso inovador para tentar mudar o mundo “ajudando tantas pessoas quantas for possível”. Esta iniciativa, anunciada na passada Quarta-feira através de um comunicado, chama-se Projecto 10¹°° e inclui um fundo de 10 milhões de dólares para financiar os melhores projectos.

Quem tiver uma ideia, para ajudar a mudar o mundo, apenas precisa de preencher um formulário no site do projecto antes do dia 20 de Outubro.  “As ideias podem ser pequenas, relacionadas com a tecnologia ou brilhantemente simples mas é necessário que tenham consequências enormes a longo prazo”.

A Google definiu oito categorias para simplificar o processo de selecção: comunidade, oportunidade, energia, ambiente, saúde, educação, habitação e uma categoria para todas as ideias que não se enquadram em nenhuma das anteriores. Os critérios de selecção é o alcance, a profundidade, a exequibilidade, a eficiência e a longevidade que a ideia tem.

As ideias submetidas serão primeiramente avaliadas por um grupo de funcionários da Google, que escolherá as cem melhores ideias antes de 27 de Janeiro de 2009. Essas serão então publicadas no site para serem submetidas ao voto do público e reduzidas a apenas 20. Cabe a um painel de peritos, composto por cinco ou sete pessoas, seleccionar os vencedores em meados de Fevereiro.

A Google deixou em aberto o número de ideias que podem ganhar, no entanto revelou que os 10 milhões de dólares terão de ser divididos pelos vencedores, que nunca serão mais de cinco.


FAIL (the browser should render some flash content, not this).


Google Chrome: Lançada ontem a primeira versão do browser

Quarta-feira, 3 Setembro, 2008

Foi lançado ontem, em mais de cem países, o primeiro browser Google, a maior empresa americana no mercado. A versão experimental do Google Chrome está disponível em 43 idiomas, entre estes o Português, e tem como objectivo melhorar a experiência dos utilizadores da web. Rapidez, simplicidade e sofisticação são algumas das características que a Google promete.

O Chrome foi anunciado na segunda-feira, no blog oficial do Google, e foi apresentada uma banda desenhada com 38 páginas a explicar o projecto e a ambição dos autores. A versão para Windows, do novo browser está disponível para ser descarregada gratuitamente desde as 15:00 do dia 2 de Setembro (20:00 hora portuguesa). A Google estará ainda a preparar as versões Mac e Linux.

Open Source

A Reuters deu a notícia do lançamento do Chrome com um título algo ambíguo, que acabou por ser alterado - Google browser takes advantage of Apple software - implicando que o Chrome deve muito ao browser da Apple, o Safari, no entanto isto não corresponde totalmente à realidade. O Chrome utiliza o motor de apresentação do Safari, uma evolução do projecto KHTML, que se chama WebKit, mas diferencia-se deste e dos outros browsers pela sua interface e pelo seu motor Javascript V8, desenvolvido e integrado no WebKit pela Google. O Google Chrome é um projecto open source sobre uma licença extremamente permissiva, assim como o próprio WebKit.

«O Google Chrome foi construído em cima de projectos open source que têm trazido importantes contributos para a tecnologia e que têm estimulado a competitividade e a inovação» anunciou Sundar Pichai, responsável pela gestão de produtos da Google Inc, numa conferência de imprensa na sede da empresa em Mountain View, Califórnia. O facto do projecto ter o código fonte aberto permite que este seja modificado e reutilizado por todos proporcionando, consequentemente, um mais rápido desenvolvimento.

Mozilla Firefox

A Google é a principal financiadora da Mozilla Corporation, sendo a fonte de cerca de 85% do capital, através de um acordo que envolve o browser Firefox e as predefinições do motor de busca. Com o lançamento do Google Chrome, poderia-se pensar que a Google abandonaria esta parceria mas, a Google e a Mozilla renovaram o seu acordo financeiro até 2011, acordo que estava previsto expirar em Novembro. Sergey Brin, co-fundador da Google, revelou que a Google planeia continuar a trabalhar em parceria com a Mozilla e que espera que as versões futuras do Chrome e do Firefox fiquem ainda mais próximas. “Desejo que, com o tempo, tenhamos cada vez mais unidade” acrescentou.

O Chrome aproveitou algumas das ideias do Firefox, que também é um projecto open source, ou seja, como afirmou Sundar Pichai “pedimos emprestadas as boas ideias dos outros”. Algumas features, como o método de fazer bookmark a uma página e de salvar a password, funcionam como no Firefox.

Simples, eficiente, seguro e rápido

O que mais surpreende no Chrome é que cada uma das tabs é autónoma, o que permite que, sempre que uma bloquear ou não responder, todas as outras continuarão activas. A intenção da Google é “tornar a navegação na Internet mais rápida, segura, prática e a funcionar melhor com as aplicações mais complexas da Net, existentes actualmente” e o facto das tabs serem autónomas possibilita que os utilizadores continuem a trabalhar sem terem de reiniciar o browser e interromperem processos importantes.

A autonomia das tabs também é visível no próprio design do browser, pois as tabs, contrariamente ao que acontece nos outros browsers, estão no topo do browser. Cada tab tem a sua própria barra de endereços, botão de bookmarks, botão de search, etc.

Os primeiros testes com o Chrome, revelam que o browser é consideravelmente mais rápido que os rivais. Segundo Brian Rakowski, gestor de produtos do projecto Google Chrome, “As pessoas passam mais tempo no browser do que no próprio carro” e por isso havia necessidade de criar um novo browser mais rápido e que impulsione uma maior competição no mercado. Graças ao motor JavaScript V8 as aplicações no Google Chrome são mais rápidas, mesmo com processos mais pesados, devido à autonomia das tabs.

Quando o utilizador abre um nova tab, em vez de encontrar uma página em branco, tem uma página que inclui informação sobre os seus sites mais visitados, os seus bookmarks e as suas pesquisas mais recentes. No entanto o resto da janela do browser é extremamente minimalista, pois não tem muitos dos menus típicos dos restantes browsers, e muito poucos ícones na toolbar. Portanto quase todo o espaço do ecrã é utilizado para apresentar a própria página.

A partir dos hábitos do utilizador o Google Chrome conseguirá auto-completar o link sem ser preciso o escrever na totalidade e a Google promete que vai impressionar o utilizador com a precisão com a qual o browser adivinhará que link o utilizador deseja. A esta feature acrescenta-se o facto da raiz do link aparecer destacada.

Fazer o download de ficheiros também é muito fácil com o Google Chrome. Surge um botão no canto inferior esquerdo do browser e para abrir o ficheiro basta clicar nesse mesmo botão, não existindo uma janela de downloads e tornando o acesso ao ficheiro extremamente simples.

Screenshots do Google Chrome aqui.

Críticas

Apesar das grandes inovações que o Chrome apresenta, o novo browser recebeu algumas críticas de alguns colunistas de tecnologia norte-americanos. Walter Mossberg, do “Wall Street Journal”, escreveu que, apesar de ser um browser inteligente e inovador, o Chrome é “grosseiro”. O jornalista do “USA Today”, Edward C. Baig, afirmou que o Chrome é cool, mas acrescenta que “exige habituação na utilização e precisa de ser polido aqui e acolá”. No “New York Times” o jornalist David Pogue escreveu que o Chrome “é extremamente minimalista”, pois não tem propriamente uma barra de status, de menus e apenas uma barra para os bookmarks.